fios invisíveis

 o mundo encolheu num écrã de vidro,

distâncias que eram meses, são agora segundos,

       um clique em Lisboa, uma fábrica em Xangai,

o mesmo café servido em mil línguas


  roupa confeccionada por mãos que não vemos

            viajam oceanos até tocar a pele,

o dinheiro voa sem fronteira e asas

enquanto culturas se cruzam e perdem



  uma canção nasce numa aldeia esquecida

no dia seguinte toca em Nova Iorque,

          há quem pergunte entre écrã e luzes

se ao ganhar o mundo perdemos

                     o lugar onde nos sentávamos



somos todos vizinhos,

                somos todos estranhos,

     ligados por cabos separados por muros,

o planeta é uma casa de portas abertas

     e nem todos entram pelo mesmo preço



e assim seguimos, tecendo essa rede,

      entre lucro, sonho, e saudades de casa

globais no écrã, locais no coração

      procurando ainda o que nos une, afinal

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