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A mostrar mensagens de setembro 13, 2026

as casas

Para Aldo u s Huxley como sabeis que a terra não é o inferno (de outro planeta) talvez já estejamos no fundo sem o saber e as chamas que esperávamos sejam esta luz                   mansa de estação indefinida talvez os condenados sejamos               nós & ninguém nos disse que o castigo pode ter o rosto       do hábito - o pão de cada dia          o ruído dos carros  ao amanhecer o amor que se gasta  como uma                  vela        numa casa vazia se isto é o inferno então o inferno é                     belo tem árvores                     rios crianças a rir mãos que se procuram a solução           na penumbra & isso é...

outro cigarro

Find what you love and let it kill you. Charles Bukowski  encontra o que amas e deixa que te mate . fácil dizer isso quando se está sóbrio. difícil é fazê-lo às cinco da manhã com a garrafa meio vazia e o telefone que não toca. já amei coisas que me arrancavam os dentes. amei mulheres que me diziam: "és um merda!" e eu agradecia. já amei a garrafa quando ela era a única que ficava. e sabes? valeu a pena. não pelo prazer - isso é para os românticos. valeu pela ferida. porque a ferida ensina. o resto esquece. então procura. procura essa coisa que te vai partir ao meio. podes chorar no balcão. podes vomitar no lavatório. podes acordar sozinho com o sol a rir-te na cara. tudo bem.                   tudo bem. porque os que nunca amaram  nunca escreveram nada que alguém quisesse ler às cinco da manhã. encontra o que amas e deixa que te mate . depois acende outro cigarro. o mundo não esper...

a tolerância

a tolerância (torna-se um crime)quando aplicada ao mal - diz thomas mann e o silêncio concorda sem concordar;pois há verdades)(que se dobram e há verdades que não - olha: uma mão que hesita é uma mão que já escolheu (o mal cresce onde a bondade esquece de ter dentes) & assim digo:não toleres o que devora o pequeno e o quieto pois o amor sabe quando dizer não  

toda a palavra

Toda a palavra é uma pedra lançada ao rio. Antes do círculo que desenha na água, há uma margem de onde partiu. Nenhuma palavra nasce do vazio. Traz pó dos caminhos, o sal das lágrimas, o fogo das inquietações. E quando se desprende dos lábios, já não pertence a quem a disse. É ave migratória. Procura outros céus, outros ombros, outros destinos. Toda a palavra tem uma causa e uma consequência. É semente lançada à terra escura. Nunca sabemos se dela nascerá um jardim ou uma floresta de espinhos. Mas também o silêncio não é ausência. O silêncio é um mar subterrâneo. Corre por baixo de conversas, escava grutas na alma, arrasta correntes invisíveis. Todo o silêncio tem uma causa. Uma lua encoberta. Uma porta fechada por dentro. Um pássaro que perdeu o caminho do canto. E toda a consequência do silêncio é um eco sem voz. Às vezes ponte. Às vezes abismo. Às vezes escudo. Às vezes ferida. Vivemos entre essas duas marés: a das palavras - barc...

insubmissão

1 Questionar é levantar a cabeça diante da ordem 2 A curiosidade rasga uma pequena janela na parede do mundo e, por ela, entra o vento mais forte que nenhum deus tem poder de vetar 3 Toda questão traz consigo um desacordo 4 a criança que interroga   talvez seja a semente de um bravio rebelde 5 E o homem curioso, sem lema ou multidão, a forma mais pura de insubmissão