univers revers
Para quem aceitou que o corpo fosse reescrito, que confiou o gesto à ciência e a dor ao tempo. Que este poema seja um curativo invisível: memória do que foi atravessado, celebração do movimento que regressa, e sinal de que, mesmo quando o mundo se inverte, há sempre um braço possível para acenar ao futuro. No lugar do corpo, onde o gesto aprende a cair, a levantar--se do chão, surge um silêncio branco univers revers - nome cirúrgico de constelação, um mapa virado do avesso - a mão a tocar o céu A lâmina não fere: escuta. Afasta a dor como quem corre a cortina: luz fria, precisa, quase imaterial Cada osso é um planeta antigo, cansado de rodar fora do eixo O cirurgião reaprende a gravidade, inverte o mundo, e das mãos certas desse relojoeiro o ponteiro r...