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A mostrar mensagens de agosto 23, 2026

auto-ajuda

Não ofereças a voz ao silêncio. Há quem queira reduzir-te ao eco das certezas,   vestir-te com nomes que não escolheste. Mas não és a legenda que tatuam na pele. És a palavra ainda a crescer - caminho que a tua medida traça. Não aceites o lugar de vítima –  há um território à espera de descoberta. Haverá mãos apontadas,                                   juízos apressados, olhares que tentam cegar o horizonte. Deixa-os passar. Nenhum deles conhece a força secreta que te anima. Ergue-te. Olha-te de frente. Desenha a cara na página em branco.  A vida não acasala com entradas de dicionário.

Alma

Para Emily Dickinson nós - que temos almas - morremos mais vezes -            do que o corpo pode  imaginar             quando o silêncio                   aprende a amar         o alfabeto do espelho    nós - que temos almas - vivemos como se   a natureza nos fizesse viver morrendo morrer vivendo       Não tão vitalmente - mas d´primordial arte  como um interruptor            da consciência essencialmente                                   verdadeiro

guerra & paz

I Lobo de aço
 planta a voz no campo
 o trigo geme Dragão de fogo devora rios e pontes
 momentos e dor Noite de ferro
 Muda a luz em trevas morre a canção II Brisa no vale
 lava rios de ira canta a manhã  Lago sereno
  pomba branca em céus desperta o sol  Após a noite
 orvalho beija o chão renasce a paz

a presença

  Tudo o que não fomos 
permanece. Não é sombra obediente:                uma silhueta imóvel
 que olha dentro. A cada novo gesto,
   o gesto recusado ergue-se,                 a cada palavra dita,
 a sílaba afogada no silêncio. Vivemos cercados 
por essa multidão invisível: caminhos abandonados,
     amores mal suportados,       cidades que recusaram      o peso que eleva o passo. E nenhum deles nos julga.   Limitam-se a contemplar o estreito território do ser, a minúscula estrela extinta
  cuja luz encontra os olhos.   Talvez sejamos o contrato depois de breve transacção entre o escolhido                            e o perdido, entre a porta varada e as cem portas cerradas. E tudo o que não fomos
  fixa em nós o olhar paciente...