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A mostrar mensagens de agosto 16, 2026

a caverna

Luz na parede, sombras.               E bastava. Depois um olhar  voltado para trás. A dor da luz.            O caminho. O mundo.    Então percebeu: a sombra    não era a árvore,      nem o pássaro,            nem o céu. Voltou para contar. Mas quem vive a sombra chama cegueira             à claridade.

o rebanho

queres uma vida fácil? fica com o rebanho acorda quando acordam        bebe quando bebem             ama o que amam         odeia o que odeiam acorda               bebe                         ama                                 odeia é simples ninguém (nunca)            te pergunta nada e quando finalmente te perderes               entre milhares de rostos               entre milhares de vozes             entre milhares de passos chama a isso paz repete - paz até que a palavra   soe como uma medalha    no peito de um homem que desistiu de si mesmo e então quando já não houver     ...

banalidades

Uma percentagem considerável das pessoas que encontramos na rua são pessoas vazias por dentro, ou seja, já estão mortas. Felizmente, não vemos nem sabemos isso. Se soubéssemos quantas pessoas estão realmente mortas e quantas dessas pessoas mortas governam as nossas vidas, enlouqueceríamos de horror . George Gurdjieff Rostos na manhã, vazios cruzam a luz,
 sombras respiram.  Um engano antigo; máscaras bebem a luz e as sombras sorriem. Mortos por dentro,
 governam cada mundo; mas ninguém os vê.

Zé Ninguém

Zé Ninguém chega sempre à mesa como quem chega ao centro do mundo, puxa a cadeira,                                mede os rostos, escolhe o ouvido mais disponível. Fala. Não é preciso muito: um nome,                      um defeito,  uma estória sem dono   que oferece em troca como moeda pequena. Fala dos outros para que o silêncio não fale dele. (O homem que se levantou há pouco ainda deixou o calor no assento, e já é assunto,                   já perdeu a sombra, já foi transformado em palavra na boca de quem ficou). Zé Ninguém mastiga devagar as vidas alheias. De vez em quando interrompe a frase      e olha em redor.   Não olha para ver. Olha para ser visto. Há sempre alguém a uma mesa próxima, um ouvido distraído, um copo que tarda em beber, uma cabeça que...

fahrenheit 451

You don't have to burn books to destroy a culture. Just get people to stop reading them. Ray Bradbury não queimes o livro deixa-o quieto entre livros intacto não é preciso fogo basta o silêncio de um livro fechado as páginas envelhecem sem testemunhas como uma jangada onde ninguém viaja e uma cultura vai esmoronado não em cinza mas em esquecimento