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A mostrar mensagens de agosto 9, 2026

os amantes

É na penumbra do quarto que a noite desafia o seu segredo. Longe da cidade e do rumor das vozes, os corpos acendem-se como dois arquipélagos de febre, fabricados de sal, silêncio e vertigem. Vê como as mãos inventam a arquitectura do escuro, a pele da cobra vibra antes de ser tocada. Há uma urgência subterrânea em devorar as horas, enquanto as ruas morrem na humidade dos vidros. Amar é este ofício terrestre de esculpir a luz na carne, a âncora vagarosa de barcos nocturnos junto à praia breve e sonora da boca. Tu, que conheces a gravidade exacta da respiração do outro, sabes que nada permanece senão o rasto de suor sobre os lençóis, essa memória densa de água, cinzas e desejo. Deixa-te ir ir no vórtice da madrugada, fundido na mesma sombra que te oculta o dia. Que a noite te seja um manto de sal e vertigem, e ao amanhecer, quando a primeira luz rasgar o quarto, respira o peso exacto da espiral que cativa os lábios.

sanidade

  Sanity is a cozy lie . Susan Sontag sanidade - um cobertor sobre o abismo durmo o abismo não

Verme

    Fizeste-te pequeno  para caber no medo. Agora não estranhes o pé que te encontra. O chão não conhece outra linguagem.