a melhor obra
Para Arthur Miller
a melhor obra
não é a que repousa
sob a luz tranquila de elogios
nem a que atravessa o tempo
sem levantar
poeira -
é a que observa
do outro
lado da página
com os olhos
de quem sabe
o que falhámos
dizer
a que chama pelo nome
antes de ser pensado
escrevê-la é
aproximar a
mão do fogo
aceitar a
medida exacta
da escala
do nosso medo
e quando
terminamos
sentimos silêncio
e nele
a obra
permanece -
viva -
incómoda -
terrível
como a criança
à espera
de nos
embaraçar